quarta-feira, maio 10, 2006

Estudante, profissão em tempo integral.



Para falar a verdade, eu não deveria estar escrevendo aqui, e sim tentando resolver o exercício 80 da página 132 do livro de matemática, estudando sobre ácidos nucléicos e proteínas para a prova de Biologia (que, aliás, é amanhã), fazendo um esboço de argumentos a serem usados na próxima redação de Português e estudando algumas peças de Mozart para violino.

Então, me pergunto novamente, o que eu estou fazendo aqui?!?!

A princípio, eu poderia considerar que todas minhas tarefas do dia estão razoavelmente cumpridas: Já tive duas exaustivas horas de aula de violino hoje, fiz todos os outros exercícios de matemática que a professora passou de lição de casa, e estou ouvindo as geniais "músicas de biologia", que falam a matéria em música...

A princípio, isto não seria o suficiente?
Bem... não.

Se eu quiser mesmo tocar bem no concerto (que será em menos de um mês), eu PRECISO estudar mais violino...
Se eu quiser tirar uma nota boa em biologia, eu tenho que me certificar de que estou captando TODA a matéria que a professora passou...
Se eu quiser manter minhas notas em matemática, tenho que me esforçar para concluir todos os exercícios...
E, finalmente, se eu quero que meus argumentos da dissertação façam sentido, eu também preciso organizá-los em uma ordem coerente...
Talvez esse seja o meu problema: não admitir que alguma coisa seja feita de qualquer jeito. Não sei se sou só eu a afirmar isto, ou se há algum consenso universal quanto a isto, mas eu posso afirmar com clareza:

Estudante é uma profissão integral.

Desde quando somos arrancados da cama às seis da manhã até o momento em que terminamos os trabalhos e vamos dormir (o que costuma acontecer por volta de onze horas, meia noite), uma boa parte de nosso dia é dedicado aos estudos. Mas, na verdade, eu não estou reclamando: Estou apenas dizendo que não é fácil.

Estar no ensino médio, aliás, nunca foi fácil: As responsabilidades crescem, a pressão aumenta, e o "fantasma" do vestibular paira sobre todos. O tempo todo também nos falam sobre um tal de mundo: Que temos que nos virar nele, depois que terminarmos o colégio, escolher uma profissão (ou não), ser independente (ou não), enfim... Encontrarmos nosso lugar nesse tal de mundo.

Eu poderia gastar inúmeros parágrafos falando como a vida de estudante é difícil... Mas espere aí: A própria vida tende a ser difícil. Sem esforço, sem sacrifício, as coisas não acontecem. É quase uma lei física, como a lei da inércia: é preciso a atuação de alguma força para que haja movimento. E isto não se aplica somente à escola: Mesmo que você se revolte com a sociedade e viva isolado na floresta amazônica, a sua qualidade de vida vai depender muito do esforço que você emprega em construir uma moradia, caçar alimentos e fazer fogo. Basicamente, não há como escapar do esforço e do sacrifício, não importa aonde você vá.

Mas, se pensarmos bem, a escola pode até ser bem fácil: Você acorda na última hora, dorme durante as aulas que você acha menos importantes, cola nas provas, copia trabalhos e lições, e isso só quando é muito importante, e passa todas as tardes saíndo com os amigos e se divertindo. Com uma ou outra recupreação, e bastante sorte no Conselho de Classe, você passa de ano relativamente sem problemas, e não precisa se estressar tanto como aqueles idiotas que se matam de estudar...
Mas, além de você perceber que não aprendeu NADA depois que você sai da escola, você está simplesmente perdendo tempo.

Quer queira ou não, é preciso ir para a escola, e passar horas escutando o que os professores tem a dizer sobre sua matéria. Por que não escutar? Se colocam a porta diante de você, por que não le levantar, caminhar e abrí-la?

Afinal, você vai precisar fazer aquele trabalho, aquela prova, não importa se você vai se sair bem ou mal. Por que não se sair bem? Por que ficar se preocupando com média, recuperação de matéria e provas de recuperação, quando você pode simplesmente estudar quando precisa, e tirar notas acima da média?
Eu não sei se alguém se permitir a algumas horas de lazer a mais valem a pena, sendo que o dobro de horas que você passaria estudando para a prova serão gastos estudando para a recuperação...

Mas, enfim, não vou ficar esquentando a minha cabeça com o que os outros fazem, e sim esquentar a cabeça com uma caneca fumegante de chá de limão, um bom banho e um forró falando sobre proteínas ^^

Assim, um resumo de meu dia além das palavras:
Legenda: Ao fundo, meu quarto. Em primeiro plano, meu livro de matemática, uma partitura, o lindo e maravilhoso DNA que eu monte na última aula, um lápis e uma borracha mordida...

Me despeço então, "no balanço das proteínas..."








2 comentários:

jctunes.blogspot disse...

Obrigado pela visita e pelo comentário.
Você é jovem e acho muito importante que continue estudando muito, pois o futuro será dos que estiverem melhor preparados.
Quanto a questão do voto obrigatório eu o acho anti-democrático ao mesmo tempo preconceituoso pois pressupõe que o povo brasileiro seja alienado e irresponsável pois só exercerá um direito se for obrigado a fazê-lo.
Respeito a sua opinião.Continue opinando e questionando é assim que se pratica a democracia.

Anônimo disse...

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