segunda-feira, maio 22, 2006

Religião, Política e um Cachecol

Depois de uma semana de ausência (por falta de tempo, pra variar, já que eu estava fazendo lição de casa, ou ensaiando, ou..., ou...), cá estou eu novamente, e, como das outras vezes, revoltada com alguma coisa... Mas, como diria Jack, o estripador, vamos por partes.

Só por ser uma menina esquisita e subversiva, se revoltando com coisas que são motivo de indiferença para outros, não quer dizer que eu seja uma garota normal. Afinal, eu não dedico toda a minha vida aos estudos e à crítica social, mesmo que esse blog até faça parecer - Também tenho algumas atividades consideradas até como "símbolo da opressão feminina", como bordar, por exemplo.

Com muito orgulho, comecei a fazer um cachecol no tear de preguinhos que aprendi a manusear recentemente, e já bordei algumas almofadas, quadros e até um dragão... Se eu tivesse um mínimo de coordenação motora para todo o resto, alguns diriam que sou uma menina "prendada".

Na verdade, às vezes eu não bordo ou faço cachecóis para ganhar dinheiro ou até mesmo para mim: Faço de presente para pessoas especiais, ou simplesmente sem plano algum, apenas como terapia para esvaziar minha mente, e espero uma ocasião para dar de presente o que fiz. Mas, em todo o caso, por que falar do meu cachecol?

Talvez porque, mesmo que assuma o papel de figurante, ele estava presente na cena curiosa que quero relatar aqui.

Eu estava fazendo as primeiras linhas do cachecol, guiada por minha querida madrinha, quando minha mãe chega do trabalho, tarde da noite. Fico sabendo, então, que o atraso se deve a uma grande reviravolta em nossa querida política: O Procurador Geral, que tinha sido eleito pelos próprios procuradores, foi deposto por capricho do novo Ministro da Fazenda, e em seu lugar veio um "amiguinho" do tal novo ministro, que, pelo que indica, não é tão competente quanto o último.

Engraçado, parece que eu já vi essa cena antes...

Talvez desde o começo da República Romana...

Talvez desde que os chefes dos "genos" gregos favoreciam seus parentes mais próximos...

Então, por que eu fiquei tão revoltada?

Bem, a princípio, dizem que estamos em uma democracia. Alguns, até dizem que, no papel, poderíamos até ser uma social-democracia, com o governo assistencialista.

Só no papel, e nos sonhos mais utópicos.

Eu não chamaria de democracia o lugar onde uma votação é ignorada para se colocar um "amiguinho" no cargo...
Eu não chamaria de assistencialista um governo onde nós temos que pagar por escolas, hospitais e segurança privada, quando o governo cobra impostos altos e não consegue dar conta das necessidades até mais básicas da população.

Assim sendo, por que estamos assim? Por que não temos um pouco mais de ética na política?

Enquanto passava a lã entre os preguinhos, me punha a pensar.

Talvez seja inerente da natureza humana favorecer os mais próximos deles, ao invés de deixar desconhecidos no cargo, mas seria a democracia uma farsa, um molde a qual o primitivo ser humano não consegue se ajustar?

Se roubar de cofres públicos só para acumular mais dinheiro é um instinto de sobrevivência, de garantir sua própria "espécie", é algo justificável?

Somos tão diferentes do animal a ponto de nos disciplinarmos?

Somos tão iguais aos animais para justificar nossas atrocidades?

Se sim, por que ainda nos indignamos e lutamos por justiça, por uma sociedade justa que, por sermos animais humanos, não conseguiremos alcançar?

Não é uma perspectiva muito animadora...

Vendo minha expressão contrariada, minha mãe tenta me acalmar: Afinal, não adianta se incomodar com algo que não está ao nosso alcance mudar... Depois de discutir se as coisas estavam melhores com o Palocci, que era um dos pontos fortes do governo Lula e decepcionou com toda aquela história da conta bancária do caseiro, vi que não adianta tentar encontrar uma solução ideal - mesmo se eu a achasse, duvido que alguém fosse escutar. E continuava revoltada com a situação. E, até mais, revoltada por esta situação ser NORMAL no cenário político do nosso país.

Ao externar minhas angústias para minha madrinha, sua visão nas coisas foi diferente: Vinda de uma família pobre e extremamente religiosa do interior, suas opiniões são claras a respeito de tudo:

Segundo a bíblia, estamos chegando a um ponto crítico, onde Deus abandonou o homem à sua própria sorte, e virá no fim dos tempos, para julgar os justos.
Ela vê que a decadência moral da sociedade é algo que surge com a modernidade e piora com o tempo, e que não havia isso antes, quando a moral era forte e as pessoas tinham honra.

Eu escuto com atenção, mas vejo que não é bem assim.
Exemplos na história mostram que corrupção foi algo sempre presente em nosso país, desde o princípio. A história dá voltas e voltas, os nomes e as datas mudam, mas há alguma essência nos humanos que não conseguimos mudar.

Minha madrinha crê que é são pessoas sem Deus que são corruptas assim, e quem realmente teme a Ele tem um comportamento voltado para o bem. (ela não inclui, nota-se, muitos pastores corruptos e "católicos por tabela")

Ao invés de ridicularizar a religião e a fé, como fazem muitos de meus colegas, a fé é uma das coisas que eu mais admiro;
É um porto seguro, um lugar onde a razão não é necessária. Você diz: "Eu acredito! ", e se apóia na fé quando está perto do desespero.

Enquanto isso, timidamente, eu e minha frágil razão tentamos encontrar a idéia de Bem, como Platão, ou o Ato Ético Voluntário, como Aristóteles, para encontrar um caminho mais justo em meio a tantos "amiguinhos" do ministro...

Mas antes de tudo, um passo de cada vez. Agora já está tarde, eu preciso de sono, e não posso nem tentar virar o mundo de cabeça para baixo se não conseguir sair da cama de manhã...

2 comentários:

jctunes.blogspot disse...

Por onde andas menina? Quanto tempo? Por acaso cansastes de questionar as tantas imposturas da nossa sociedade?
Bjs.

jctunes.blogspot disse...

Continuas ausente,por quê?