quinta-feira, novembro 27, 2008

Uma história improvável...

No livro “O Guia do Mochileiro das Galáxias”, de Douglas Adams, havia uma nave movida à improbabilidade, que, por acaso, era a mais rápida de todas. Afinal, era tão improvável que alguém conseguisse chegar de um lado ao outro da galáxia em poucos segundos, ou até mesmo viajar no tempo, que, se o motor tivesse a improbabilidade do evento como combustível, tornaria isto possível.

Não estou aqui hoje para discutir paródias inteligentíssimas de ficção científica, na verdade – mas sim, para falar de outra história movida à improbabilidade. Não é uma história de universos, ou mesmo de aventura – é uma simples história de duas pessoas.

Não digo “era uma vez” porque não é nenhum conto de fadas, mas em algum lugar no tempo e no espaço havia duas pessoas com probabilidades praticamente nulas de se conhecerem. Entre 190 milhões de brasileiros, e ainda 600 quilômetros de distância que os separavam, pode-se dizer que, se não houvesse nenhum fator que os unisse, eles nunca se conheceriam – e este era realmente o caso.

Ela dizia que pensava de mais, enquanto ele tinha como filosofia não pensar. Ela era pequena, mas subversiva e sem medo de usar sua capacidade de intimidação, enquanto a altura incomum dele mal mascarava uma disposição dócil e pacífica. Se, apesar da improbabilidade, viessem a se encontrar em um contexto normal, provavelmente não se falariam – ela que era naturalmente mais solitária, e ele que tentava se encaixar em um grupo que provavelmente não toleraria conversar com “a menina estranha”.


Mas eis que, no contexto mais improvável possível, os dois se conheceram: do outro lado do Atlântico. Quase duas semanas morando no mesmo prédio, porém, provavelmente não seria o suficiente para que vissem além da superfície do outro: que ela visse a fagulha de profundidade e inteligência por trás do exterior típico de adolescente indiferente, e que ele visse a humanidade por trás da fachada de ferro. E, mesmo que vissem o que havia de diferente no outro, seria altamente improvável que fizessem qualquer coisa a respeito em tão pouco tempo – ainda mais com a diferença de idade “para mal”: altamente improvável que se envolvam com mulheres mais velhas assim, de cara. Talvez mais improvável ainda seja que a iniciativa tivesse partido dela – e ainda mais improvável que ela quase tivesse ouvido um “não” e continuado a insistir.

A probabilidade de eles terem acabado juntos está tão perto de nula que as chances são desprezíveis – ainda mais com a consciência do tempo curto que tinham. E isso sem falar da probabilidade de continuarem juntos mesmo depois de voltarem ao Brasil.


Estatisticamente falando, namoros à distância tendem a durar menos, seja pela saudade que tanto incomoda ou pela maior probabilidade de traição. É altamente improvável que eles tenham conseguido, e mais, que tenham se ajudado mutuamente a até mesmo consertar alguns aspectos da vida do outro.

Considerando-se tanto os tempos em que vivem, quanto a personalidade de cada um, as chances de dar errado eram enormes e as probabilidades de acerto, mínimas...Mas 4 meses depois, continuamos movidos a improbabilidade.

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