E lá vou eu ver o blog de novo, e perceber que já faz quase meio ano que eu não escrevo nada... Aliás, vejo meu diário, meu caderno de poesias, até mesmo minhas idéias de histórias e... nada. O pouco que eu escrevo são os trabalhos de faculdade, as conversas paralelas no caderno de introdução a filosofia e uma ou outra charge mal-desenhada com os Nietzsche, os deuses do olimpo e Hans Kelsen...
Mas acho que não vim aqui para falar de meus desenhos, não é?
A questão é que, com tanta coisa acontecendo, parece que eu não tenho nem mais tempo de escrever... Ou será que tenho?
Quando paro e penso, vejo que escrevia muito mais em épocas em que tinha, sim, montanhas de coisas para fazer - vide época de cursinho - mas parei de escrever justamente quando tinha algum ócio. Não posso julgar essa "abstinência" pela falta do que comentar, ou pela falta de pensamentos bizarros para me levar a escrever - afinal, tem tantas coisas acontecendo, e tantos pensamentos interessantes e dignos de se escrever sobre, que eu até fico perdida, sem saber por onde começar...
Eu lembro que até os 15 anos, escrevia muito - terminei um caderno grande, cheio de comentários, fácil, fácil... Mas, assim que comecei a namorar pela primeira vez, parei de escrever tanto.
E o que isso tem a ver com a história toda?
Pois bem, a conclusão a qual eu cheguei é que a falta de tempo ou vontade ou paciência para escrever não vem, de fato, do tempo, ou quantidade de assunto, ou volume de coisas que estão acontecendo.
É que simplesmente tem horas que eu não paro para escrever porque estou muito ocupada vivendo. Veja bem, isso não significa que eu não viva direito quando esteja escrevendo - é só que, às vezes, tenho sentimentos tão preciosos e aparentemente comuns que qualquer tentativa de escrevê-los me colocaria naqueles clichês bobos, que eu quero evitar a todo o custo. Ou também porque aproveito cada momento exatamente tal qual ele é, sem precisar repensar ou reciclar ou colocar em palavras, pois só o fato de eu ter vivido aquilo já basta em sua totalidade...
O único problema que isso me causa, naturalmente, é que eu deixo de ter uma chance de olhar para trás e ouvir da minha própria voz (ou, no caso, de meus próprios dedos), o que eu pensava e sentia naquela época -e não uma memória já mudada, envelhecida junto comigo. Eu vejo que até os textos que eu considerava mais bobos são vivos e tem algum significado quando eu volto para lê-los.
E aí eu me lembro do porquê de eu estar aqui, de eu manter um blog que seja - não para a posterioridade, nem necessariamente para os outros (que têm uma paciência de ouro para aguentar as minhas pirações aqui), mas sim para que eu também possa olhar para trás e ver quem eu fui, para entender quem e por que eu sou o que sou agora.
Porque o que sou é sempre mutável - ainda procuro entender o que pode ter restado de estático em minha vida, se há uma essência de Luisa ou apenas marcas que a vida deixou interagindo com marcas que a vida ainda quer deixar. Já fui extrovertida, já fui tímida, já fui manhosa e estóica, já fui amarga e otimista... Mas talvez haja uma coisa genuinamente minha, uma alma (quem sabe?) que guarde algumas diretrizes básicas para o mundo e minha teimosia construirem...
Será que isso também muda com o tempo?
Enfim, é findo meu tempo e a bateria do laptop, ainda tenho algumas pendências antes de acabar o semestre, e nem a própria autora aqui aguenta tantas "metablogagens", mil e uma justificativas do porquê de escrever ou não, que acabam tomando uma enorme parte das minhas linhas.
Despeço-me então, com uma (talvez vã) promessa de tentar registrar os momentos tão bons que vivo, até mesmo quando difíceis, nunca em sua totalidade, mas pelo menos algumas fotografias de letras para que possa lembrar o quanto me sinto viva...
Tentarei pois conciliar meu tempo de viver com o tempo de escrever.
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